quarta-feira, 16 de setembro de 2020

ARKANSAS

 

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ARKANSAS

              Filme lançado em 05 de maio de 2020 pela Amazon Prime (canal por assinatura), não se trata de uma película sobre a máfia italiana estadunidense, nem irlandesa. Não é sobre criminosos barra pesada, cujas vidas os levaram a escolhas erradas por falta de um sistema social acolhedor, não. Pelas palavras dos próprios protagonistas, esta é a história de "criminosos entediados" - e é exatamente este o tom do filme, nesse novo lançamento. Vamos ao comentário, Kyle (Liam Hemsworth) é um rapaz meio perdido na vida, sem perspectivas, cujo maior prazer é ficar embriagado,     ele ganha a vida como atravessador no tráfico de uma cidadezinha minúscula lá pelos anos de 1980, mas um dia, ele tem que sair às pressas e deixar tudo para trás, mudando-se para Arkansas, onde ganha a parceria de Swin (Clark Duke) para entregar um grande carregamento. Entretanto, no meio do caminho são flagrados pelo policial Bright  (John Malkovich), que gentilmente os força a trabalhar para ele em regime estrito. O que eles não sabem é que toda essa organização do tráfico é gerenciada por Frog (Vince Vaughn). 
                  Com pouco menos de duas horas de duração, o que de fato chama a atenção em Arkansas é a forma como a narrativa da história é construída. O roteiro de Clark Duke (sim, o mesmo que estrela o filme) e Andrew Boonkrong, baseado no livro de John Brandon, é construído em capítulos - cinco no total - nos quais os personagens vão sendo apresentados, suas tramas vão sendo delineadas e, aos poucos, um capítulo começa a se conectar com o outro. Já viu isso em algum lugar? Sim, a construção narrativa deste filme lembra bastante o estilo de Quentin Tarantino de fazer filmes - que, por sua vez, é inspirado nos antigos filmes de faroeste, cujos enredos também eram divididos episodicamente, com cada bloco ganhando um nome.                       Não só neste quesito as semelhanças de Arkansas soam familiar com esses dois exemplos inspirativos, mas também na trilha sonora (marcada, fundamental para a ambientação da cena); no enquadramento (aqueles "closes" que vão fechando devagarinho no rosto do ator); o elenco majoritariamente masculino, com movimentos de cowboys ensaiados toda vez que entram em cena; o grand finalle , quando o bangue-bangue começa. É como um filme do Tarantino, mas sem a maestria dele, ficando no nível do esboço mesmo.
                       Então, o que, apesar das semelhanças, torna Arkansas um filme menos atraente do que seus companheiros de gênero? Bom, apesar do elenco estelar - que entrega o que é esperado dele -, a história é vazia e monótona. Tal como seus personagens confirmam, a história é entediante, e nada acrescenta na vida do espectador, nem mesmo como entretenimento. Amigos cinéfilos, não recomendo nem para os amantes desse gênero. 

domingo, 16 de agosto de 2020

CASA GRANDE

                                                                         
                                                                 
                                                                           
 


CASA GRANDE

          Olá amigos do meu Blog, hoje venho comentar esse filme brasileiro de 2014, que assisti ontem (15/08/20) pela Net Flix com direção do estreante na categoria de  longa metragem Fellipe Gamarano Barbosa, e tive uma grata surpresa. Ele na sua vida pessoal, foi filho de uma elite decadente, que viu ruir suas expectativas em manter o mesmo status quo para as gerações seguintes. Só que ele saiu de casa antes da quebra, foi estudar cinema nos Estados Unidos e acabou sendo preservado, de um modo ou de outro, da nova condição que tomava conta de sua família. Quando ficou a par dos fatos, o choque foi tão intenso - afinal, era algo pelo qual não esperava - quanto estranho - pois sua vida já havia mudado neste ínterim, e o que havia deixado lá atrás não lhe fazia mais falta. Jean, o personagem, é um pouco Fellipe. Mas um é ficção, e o outro é criador. Um está no outro, mas como base, e não complemento. Foi uma forma de expiar o drama familiar, mas sob a forma de manifestação artística, em uma análise que não poderia ser lida como isolada.                    Muitos brasileiros de norte a sul experimentaram - e ainda experimentam - a mesma situação, dia após dia. Esta é uma obra surpreendentemente madura para uma película de longa metragem de estréia do diretor, pois antes ele havia entregue o documentário Laura (2011) e participado pontualmente do projeto coletivo Rio, Eu Te Amo (2014). Com bastante sensibilidade e sem exagerar nos pontos mais condenatórios - nos compadecemos até mesmo daqueles que poderiam ser apontados como "culpados", pois todos possuem suas razões e nada aqui é gratuito - ele consegue atingir um discurso muito próprio, que permite que seus personagens se desenvolvam sem pressa nem atropelo, proporcionando as condições necessárias para que cada reviravolta surja naturalmente. O afastamento dos pais, a visão pelo outro lado das coisas, a inversão dos papéis: tudo está ali, com cada movimento no seu devido tempo e lugar. 
          Fellipe Barbosa usa de tons autobiográficos para contar a história de Jean (Thales Cavalcanti), um estudante do tradicional Colégio São Bento, do Rio de Janeiro (um reduto da classe média alta carioca), no último ano do ensino médio, ou seja, naquela fase em que os hormônios mais cutucam e o presente cobra a definição do que você vai ser para o resto da vida. Quando a família dele demite o motorista Severino, que o leva à escola todo santo dia, o jovem percebe que nem tudo vai bem no reino da Barra da Tijuca (bairro nobre do Rio de Janeiro). E o rapaz passa a usar o coletivo para se deslocar. Os pais, Sonia (Suzana Pires) e Hugo (Marcello Novaes), super protetores, tentam esconder a derrocada financeira dos filhos, a reboque da falência de um tipo de capital especulativo. (Pense "Eike Batista" : o Tema é pertinente e atual).                                                                                                                              Em certo sentido, a produção mantém uma tradição cinematográfica brasileira do filme de denúncia social. Por outro lado, inova com um roteiro redondo, sobretudo apoiado em diálogos críveis, tão raros em produções nacionais, o que resulta em um apelo comercial igualmente inusitado para uma obra cinematográfica brasileira que não é filha da TV. Para viver os personagens principais, Barbosa escalou atores não profissionais. Thales Cavalcanti, que até então, era "só" um estudante do São Bento na "vida real", talvez por isso mesmo, tem uma atuação bastante convincente - e também sutil, mérito do novo ator, claro.                                           No ônibus, Jean conhece a personagem Luiza de Bruna Amaya (outra estreante), uma menina mestiça, que estuda em escola pública e, não tarda, os dois engatam um namoro. É uma personagem doce, que Amaya faz sorrir com os olhos. E a grande surpresa é a hilária empregada doméstica Rita vivida pela também novata Clarissa Pinheiro, sem dúvida uma das melhores contribuições do filme. A título de curiosidade essa atriz foi aluna de Fellipe Barbosa no curso de direção na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro, e o personagem do motorista Severino (Gentil Cordeiro) é outro também não ator profissional.                                                                Esse filme foi premiado nos Festivais de Paulínia, do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Recife. Casa Grande foi exibido com sucesso também no exterior, onde ganhou prêmios da crítica e do público em mostras e competições na França (Toulouse) e em Portugal (Santa Maria da Feira), entre outros.                                                      É um filme que se mantém em pé com suas próprias pernas, graças ao talento inequívoco do seu realizador, um jovem que sabe observar, analisar e traduzir em linguagem cinematográfica, com eficiência, uma realidade que parece distante, mas que pode - e está - muito mais próxima do que imaginamos - e que gostaríamos. Disponível na NetFlix (aluguel) ou no YouTube Filmes (gratuito). Vale a pena conferir  essa película que mistura drama, romance, tudo na dose certa galera!!!!!!! 

domingo, 2 de agosto de 2020

TERRA SELVAGEM

                                                                             
                                                                           
   

TERRA SELVAGEM
                                   ( WIND RIVER )

           O diretor Taylor Sheridan após anos em uma carreira mediana como ator, estreou como roteirista em 2015, como uma imensa promessa ao escrever o brilhante "Sicário: Terra de Ninguém", voltando a acertar no ano seguinte com "A Qualquer Custo" - e se ambos os filmes lidam com homens áridos e violentos habitando universos similares, é perfeitamente possível encarar este "Terra Selvagem" (2017), como o terceiro capítulo de uma trilogia informal, já que acompanha o caçador Cory Lambert (Jeremy Renner) em uma região que, embora substitua a secura dos dois primeiros longas por tempestades de neve, não é menos inóspita que a daquelas produções.                                                                                      Desta vez, porém, Sheridan também estréia como diretor, apresentando-se talvez não como a revelação que foi como roteirista, mas certamente como dono de um potencial que merece ser explorado. 
           Filme inspirado em fatos reais, Terra Selvagem se passa em uma reserva indígena na qual o cadáver congelado de Natalie Hanson (Kelsey Asbille Chow), uma jovem local, foi encontrada com sinais de estupro e espancamento. Deslocada para investigar o caso apenas por estar próxima da região, a agente do FBI Jane Banner (Elizabeth Olsen) requisita a ajuda do protagonista para ser o guia na paisagem coberta de neve, sendo ocasionalmente aconselhada também pelo xerife Ben Shoyo (Graham Greene). O desenvolvimento da história está centralizado na vida de cada personagem, principalmente a medida que suas histórias pessoais vão sendo reveladas. 
            Em meio a tantas políticas segregacionistas no país, nos deparamos com uma produção necessária e preocupante, que veio para abrir os olhos de seu espectador, em relação ao descaso para com os indígenas. A mensagem que estampa o final do filme é chocante, nos mostrando até que ponto vai o respeito entre os seres humanos. Durante o ano, milhares de aldeias americanas são dizimadas e sua população exterminada..... e nada aparece na mídia. Para nós brasileiros pode parecer algo fora de nossa alçada, mas devemos olhar para nosso próprio umbigo e lembrar que o mesmo acontece há anos em nosso país. Crescemos aprendendo a valorizar a cultura indígena e compreendemos que foram eles os primeiros habitantes do Brasil. O tempo passa, somos dominados pela mídia e pela capitalização, e é necessário um filme para nos trazer de volta a nossas origens. 
          A única crítica que tenho em relação ao filme é quanto a sua pouca duração. O roteiro é bem trabalhado, mas entrega a solução do crime de maneira muito rápida, mal dando espaço para o espectador tentar adivinhar o assassino. Em questão de momentos, temos toda a cena desenvolvida, o crime solucionado e os responsáveis capturados.  O diretor poderia ter alongado mais um pouco a narrativa, criando a sensação de ansiedade e curiosidade em quem estivesse assistindo. Além disso, o personagem de Jon Bernthal, cuja atuação teve muito pouco tempo para  desenvolver a interpretação, lamentável, pois, sabemos do potencial desse ator e do que ele é capaz, porém nos poucos minutos em que aparece na tela, faz o que lhe foi solicitado. 
           Para concluir, não há dúvidas de que Terra Selvagem é um ótimo filme, com um elenco excelente e que poderia ter uma duração maior. Caracterizando um cenário esquecido e ignorado por muitos, o longa abre nossos olhos para o descaso sofrido por populações indígenas em todos os lugares do mundo. Além de mostrar ao público um pouco de respeito ao próximo, a produção possui uma bela fotografia e um enredo de suspense cativante - mesmo que acabe rapidamente. Taylor Sheridan confirmou seu talento como roteirista e cineasta da maneira mais clara possível, nos entregando algo de tirar o fôlego e cheio de surpresas. Vale conferir para os amantes desse gênero de filme de ação e aventura, disponível na Netflix, Globoplay,  Vivoplay e no YouTube. 


sábado, 1 de agosto de 2020

A CASA DOS ESPÍRITOS




               A CASA DOS ESPÍRITOS
                        ( HOUSE OF THE SPIRITS )


          O filme segue os Trueba, uma turbulenta família chilena de classe alta composta por seu patriarca violento e mulheres clarividentes que, por três gerações, vivem os acontecimentos mutáveis de seu país.  Baseado no romance de Isabel Allende (sobrinha do ex-presidente do Chile Salvador Allende), publicado em 1982, que retrata a saga da família Trueba, no Chile, ao longo do século XX.                                            A ação da obra reflete o momento revolucionário do Chile, terminado com o golpe militar de 1973, que veio a derrubar o presidente Salvador Allende. A história é narrada por três personagens: Esteban Trueba (Jeremy Irons), a sua mulher Clara del Valle (Meryl Streep) e a filha do casal Blanca (Winona Ryder). 
         Esteban Trueba, um jovem decidido e ambicioso, pretende fazer fortuna, trabalhando numa mina, com o objetivo de casar com Rosa del Valle (Teri Polo), irmã mais velha de Clara, mas, no entanto esta morre repentinamente, tal como a sua irmã Clara tinha premunido. O jovem Esteban, amargurado pela morte súbita da sua pretendente, deixa a mina e instala-se numa fazenda abandonada, tornando-se um latifundiário abastado, poderoso e arrogante. Após vários anos, Esteban casa-se com Clara, passando o casal a viver com a irmã de Esteban, Férula (Glenn Close). Do casamento nasce Blanca (Winona Ryder) e posteriormente dois rapazes gêmeos, Jaime e Nicolás. Esteban, com inveja da influência de Férula sobre Blanca, expulsa a irmã de casa, além, de internar sua filha num colégio distante.                                                          Quando esta regressa a casa, apaixona-se por Pedro, filho do capataz da fazenda, que entretanto se tornara líder da rebelião dos trabalhadores rurais contra o latifundiário. Blanca fica grávida, mas Esteban, por ambições políticas, pretende casá-la com um conde francês. Perante tal pretensão, Blanca e Pedro saem do País. Da união dos jovens enamorados nasce Alba, que vai continuar a luta pela justiça social, iniciada pelos pais, chegando mesmo a ser presa e torturada.                                        Com direção e roteiro de Billie August, o filme foi lançado em 1993, e achei esse filme magnífico, com grandes atuações e uma história que mostra a realidade que perdura durante gerações até os dias de hoje. Roteiro super inteligente e o que dizer das cenas em que temos Meryl Streep e Glenn Close atuando juntas? Simplesmente me deixaram de queixo caído. A última cena da Glenn Close é uma das melhores. Achei um absurdo esse filme não ter tido uma indicação sequer ao Oscar! 
          Para mim foi a melhor atuação da carreira de Jeremy Irons até hoje, ele foi muito melhor do que em Reverso da Fortuna, pela qual ele foi premiado. Um dos melhores filmes que já assisti, sem dúvida alguma, e acredito que todos deveriam assistir, porque trata de uma passagem histórica e dura, mostrando bem como funcionavam os regimes militares na ditadura. Filme essencial para ilustrar o momento tenebroso em que vivemos no nosso país. Palmas para todo o elenco e para a direção e roteiro, pois fizeram uma obra-prima atemporal. Amigos cinéfilos, quem não viu, não perca, pegue a pipoca e o refrigerante e ótimo entretenimento, disponível no NetFlix (aluguel) e no YouTube (gratuito).  

                       

quarta-feira, 29 de julho de 2020

CORAÇÃO LOUCO




                    CORAÇÃO LOUCO
  

                    Filme norte-americano de 2009 de drama e romance, gira em torno de um homem que, depois de alcançar o auge de sua carreira, tornando-se incrivelmente popular, se descobre pobre, com problemas de saúde e relegado a eventos de quinta categoria ao chegar à meia idade. Estabelecendo a decadência do protagonista já em sua cena inicial, quando vemos o cantor country Bad Blake (Jeff Bridges), dirigindo seu velho carro rumo a uma cidadezinha na qual se apresentará, o roteiro do também diretor estreante Scott Cooper, logo se encarrega de ilustrar o alcoolismo dele e o seu bloqueio artístico, já que há anos não consegue compor uma nova canção. 
                    Ressentindo o sucesso de um antigo pupilo, Tommy Sweet (Colin Farrell), Blake se mostra resistente à ideia de abrir o show dele, mesmo precisando de dinheiro. É então que conhece Jean Craddock (Maggie Gyllenhaal), jornalista e mãe solteira, com a qual acaba se envolvendo, passando a conviver também com o filho de quatro anos da moça. Atuação brilhante de Jeff Bridges, está absolutamente convincente como um veterano músico country (ele canta quase todas as canções ouvidas no longa), o ator confere enorme carisma a Blake que, mesmo com alguns defeitos, conquista o espectador desde o primeiro segundo da projeção. Tornando-se ganhador do Oscar de Melhor Ator de 2010 e também Ganhador do 67º Globo de Ouro em 2010 com esse papel. 
               Buscando ser sempre gentil com seus fãs, ele se mostra absolutamente confortável diante de suas reduzidas plateias, estabelecendo uma relação amável e simpática com o público, chegando a lembrar até mesmo de dedicar números específicos a alguns de seus ouvintes e da mesma maneira, ele não se furta de aproveitar a oportunidade de dormir com as inevitáveis fãs. 
                Porém, se ganha vida e energia no palco, fora deste Blake surge sempre pálido e tossindo, enquanto traz um onipresente copo de bebida quase como uma extensão do seu braço - e é no mínimo interessante vê-lo limpando cuidadosamente sua guitarra, já que demonstra um descaso pavoroso para com seu principal instrumento de trabalho: seu próprio corpo. Falando com uma dicção trôpega, que indica seu constante estado de embriaguez, o cantor oscila entre o limite da depressão e o intenso mal-estar provocado pelo excesso de bebida - algo que Bridges retrata com uma intensidade única. Além disso, o ator é hábil ao demonstrar a resistência de seu personagem diante de certas perguntas feitas por Jean, já que as respostas que se nega a dar, revelam bem mais sobre Blake do que aquelas que ele oferece sem hesitação. Para completar, Bridges enriquece sua composição através de detalhes como empurrar o vidro automático de seu carro para ajudá-lo a fechar, o que embora pareça banal, é perfeito ao demonstrar como o músico já se encontra habituado ao mau funcionamento do veículo. 
            Não posso deixar de mencionar que temos no elenco o excelente ator veterano Robert Duvall que também é um dos produtores da película, e que faz uma quase figuração, no papel de Wayne Kramer, um velho amigo de Blake. Mas é tão bom voltar a vê-lo em cena, que não reclamarei da sua curta participação. Em tempo, somente a título de curiosidade durante os créditos finais, podemos ouvir Robert Duvall cantando os mesmos versos que ele recita durante a projeção.
              Finalizando as minhas colocações, "Coração Louco" é um filme para os olhos e música para os ouvidos de quem acredita que nunca é tarde para recomeçar. É cinema de qualidade sem contra-indicações. Se persistirem os sintomas, assista novamente, com a pipoca e o refrigerante. Ele está disponível no NetFlix e no YouTube!!!!!! 

terça-feira, 28 de julho de 2020

ESCOBAR: A TRAIÇÃO



  



                 ESCOBAR: A TRAIÇÃO

        Filme de drama, biográfico lançado em 2017 e exibido fora da competição no 74º Festival Internacional de Cinema de Veneza e na seção de Apresentações Especiais no Festival Internacional de Toronto de 2017. Pablo Escobar Gaviria foi o poderoso fundador do Cartel de Medellín. Através do olhar de sua glamorosa amante Virginia Vallejo, uma jornalista conhecida com o seu próprio programa de televisão, a trama acompanha a história da ascensão e queda do Senhor do tráfico colombiano. Sua vida, um dos maiores traficantes da História, tem sido alvo de interesse público há uns bons anos. 
     O filme é inspirado no livro "Amando Pablo, Odiando Escobar", escrito pela jornalista e ex-amante do colombiano, Virginia Vallejo. É a atriz Penélope Cruz, quem dá a vida a essa celebridade. O roteiro persegue as páginas da literatura, desde o momento em que os dois se conheceram, todo o relacionamento, o que ela presenciou sobre o submundo do Cartel de Medellín e, também, como teria sido uma das peças fundamentais para colocar Escobar (Javier Bardem) atrás das grades. Como se percebe, é muita história para apenas duas horas de filme.
      O grande problema do diretor espanhol Fernando León de Aranoa é não saber para que lado ir. A cinebiografia convencional segue uma linha do tempo, desde a festa em Hacienda Nápoles, onde Virginia e Pablo se conheceram. Justamente o momento em que o cartel é formado sob o verniz de ser uma causa beneficente. A presença de Javier Bardem como Escobar é imponente. Com vários quilos a mais para ficar parecido com o traficante da vida real, o ator magnetiza o espectador, assim como o faz com a sua amante, tornando possível entender como Virginia se apaixonou tanto por ele e, assim, causou a própria ruína ao fazer vista grossa para a lama em que havia se metido.
        Escobar: A Traição poderia ter sido melhor, se realmente tivesse foco. Porém, ao disparar para todos os lados, acaba se distanciando de sua proposta de mostrar como um relacionamento desastroso pode levar um casal para o fundo do poço. O "espanglês" também não ajudou, sobretudo com dois artistas espanhóis da qualidade mais que comprovada dos protagonistas. Se entende a jogada  do seu diretor para angariar o público norte-americano e até do resto do mundo, porém o tiro saiu pela culatra, pois poucos quiseram assistir a produção após tamanha repercussão negativa. A vantagem de Aranoa é não endeusar os protagonistas, que tomam decisões erradas constantemente. Mas, nem a presença dos bons coadjuvantes Peter Sarsgaard, como o agente Shepard da CIA, ou Julieth Restrepo, como Maria Victoria Henao, a esposa de Escobar, ajudam a alavancar o longa.
        Acredito sim, que se houvesse especialmente um foco maior nessa personagem (Restrepo), talvez as coisas tivessem tido um outro andamento. Finalizo, dizendo que no fim, se tornou apenas mais um repetido e esquecível filme sobre a vida de Pablo Escobar, desperdiçando nessa película o potencial excepcional de interpretação de Javier Bardem. Uma pena!!!! 

O SOL DE RICCIONE



                                       

                          O SOL DE RICCIONE


            Filme italiano que estreou direto no canal NetFlix em julho deste ano, com direção de Younuts (uma dupla de cineastas italianos, conhecidos principalmente por vídeos clipes), enquanto o roteiro é assinado por Caterina Salvadori, Ciro Zecca e Enrico Vanzina.                                                                                                                                    Riccione para quem não conhece, é uma cidade italiana da região da Emilia-Romanha na província de Rimini, localizada no coração da Riviera, com pouco mais de 32 mil habitantes, bastante frequentada por turistas europeus durante as férias de verão no meio do ano. E é frequentada também por Marco (Saul Nanni), que, há cinco anos se encontra com uma turma na praia, pois é lá que a sua paixão encubada Guenda (Fotim Peluso) vai, embora ele nunca tenha se declarado a ela. A vida deles cruza com a de Ciro (Cristiano Caccamo), um jovem que sonha em ser cantor, mas que acaba conseguindo um emprego de salva-vidas de um hotel à beira da praia, e com Vincenzo (Lorenzo Zurzolo), um rapaz cego que vai passar as férias de verão com a mãe controladora, Irene (Isabella Ferrari), mas que, graças à tecnologia acaba travando uma amizade virtual com Camilla (Ludovica Martino).                                                    A trama simples e entrelaçada de diversos personagens, emprega agilidade ao filme de uma hora e quarenta minutos de duração. Com tantas histórias para resolver em tão pouco tempo, os roteiristas acabam acelerando em algumas partes, para dar logo a solução daquele núcleo, e, por vezes, insere personagens e/ou situações apenas para tornar as decisões dos protagonistas mais fáceis. Talvez se o filme tivesse um pouco mais de tempo, ou mesmo se ganhasse o formato em série- como "Malhação", cuja estrutura é bastante similar- as soluções encontradas não precisassem ser tão fáceis, e os desafios dos personagens pudessem ganhar maior profundidade. Mas isso não tira o frescor e o brilho desse ensolarado "O Sol de Riccione", que consegue passar a sensação de curtição veranil para o espectador que está em casa assistindo.                                                                                                               A dupla de direção Younuts, acertou em dar muito espaço para a luz do sol entrar em seu filme, e acender o potencial juvenil de seu elenco, que conduz o filme com bastante descontração, em diálogos diretos com o seu público alvo.                                   Finalizo dizendo, que para os amigos cinéfilos que estão a procura de um filme leve, tipo romancezinho gostosinho com sabor de água do mar, "O Sol de Riccione" é um bom passatempo, despretencioso, e com o único objetivo de distrair além de  mostrar um paraíso turístico pouco conhecido para os brasileiros.